do Coletivo Ponto Art (Bahia/Brasil) – Inédito no Rio

Dança + performance


Direção, coreografia e performance: Jaqueline Elesbão.

Sobre Jaqueline Elesbão:


Coreógrafa, diretora e performer, Jaqueline Elesbão é idealizadora do Coletivo Ponto Art, criado no ano de 2011, em Salvador (BA). Com seu grupo, a artista criou o solo “Entrelinhas”, que será apresentado pela primeira vez no Rio durante o Cena Brasil Internacional; Jaqueline também assina o roteiro e a direção da websérie “Voz sem medo”, que se inspira em “Entrelinhas”.
 
Realizou seus primeiros trabalhos artísticos no Projeto Axé, entre 1999 a 2004. Após um período em São Paulo, retornou a Salvador em 2008, quando passou a realizar diversos trabalhos como performer e assistente de coreografia, tendo trabalhado com diretores veteranos e da atualidade, como Luiz de Abreu (“Samba do crioulo doido”, de 2004, e “Máquina de desgastar gente”, de 2006) e Cristina Castro (“Habitat”, de 2009).
 
Integrou o grupo de teatro Cruéis Tentadores, entre 2010 e 2012, e atuou em trabalhos de diversos diretores, como “Guilda” (2010) e “Rádio híbrida” (2011), ambas de Marcelo Souza Brito; “Retrospectiva” (2013), de Xavier Le Roy; “Reproduccion” (2014), de Eszter Salamon; entre outros.
 
Em 2012 a artista apresentou a primeira versão do solo “Entrelinhas”, que foi retrabalhado ao longo dos últimos anos e, em 2017, alcançou um novo formato, que tem sido apresentado em diferentes festivais e espaços culturais do país.


Sobre "Entrelinhas":


“Entrelinhas” é um espetáculo solo que traz como temática a violência psicológica, emocional e sexual contra a mulher negra, através de um diálogo tridimensional entre espaço (interno e externo), tempo (passado e presente) e ideologia (machismo e feminismo).
 
Sua construção cênica, alicerçada por uma alvenaria sincrônica entre corpo, movimento e sons, expõe e denuncia o racismo, o sexismo, a misoginia e outros processos de silenciamento da voz feminina e do seu discurso praticados desde a escravidão até os dias atuais.
 
Ao longo do trabalho, é possível testemunhar de modo cru as feridas e cicatrizes geradas por um sistema opressor e naturalizado que mutila milhões de mulheres no Brasil e no mundo, e inverte os papeis de vítima e algoz.
 
Em sua partitura dramatúrgica e coreográfica, a artista manipula objetos e utensílios marcados por referências históricas, como a máscara de flandres (usada pela lendária escrava Anastácia em sessões de tortura), o sutiã (utensílio simbólico da liberdade feminina nos anos 1960), e o salto alto (símbolo de poder e independência da mulher na contemporaneidade).
 
“Entrelinhas” é um manifesto dilacerante, empoderador e urgente, que nos coloca por inteiro na ferida histórica de uma sociedade conservadora e hipócrita educada desde sempre para colonizar a existência feminina pela domesticação, subalternidade e violência do corpo, dos desejos e das vontades alheias.
 
“Este trabalho é um silêncio agudo que ecoa nas mulheres, por elas e pela igualdade de direito de todos”, diz a artista. “Entre as linhas da violência há dor e silêncio”.

 

Classificação etária: 16 anos
 

Ficha Técnica:


Direção, coreografia e performance: Jaqueline Elesbão
Produção Executiva: Inaíra Meneses
Coordenação de produção: Anderson Gavião
Produção/Sonoplastia: George Lucas
Teaser: Ives Padilha
Confecção de figurino: Luiz Santana
Foto:  Chun Fotografia


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