São Paulo – Inédito no Rio

Performance + teatro + dança

Idealização, direção, dramaturgia e atuação: Carolina Bianchi
Atuação: 15 performers (selecionados durante residência no festival)


Sobre Carolina Bianchi:

Carolina Bianchi é atriz, diretora e dramaturga. Formou-se pela Escola de Arte Dramática na USP, trabalhou com diferentes diretores nacionais e internacionais, como Tiago Rodrigues (Portugal) e Antonio Araújo (Teatro da Vertigem), e foi uma das fundadoras da Cia. dos Outros, com quem realizou os espetáculos "Corra como um coelho", "A pior banda do mundo" e "Solos impossíveis".
 
Desde o fim da Cia. dos Outros, Carolina passou a estabelecer pontes com diferentes artistas do Brasil e da América do Sul, compartilhando e tensionando suas investigações artísticas através de colaborações em processos de dramaturgia e direção em workshops e residências. Entre estes trabalhos, codirigiu e assinou a dramaturgia do solo "Rêverie", da bailarina e coreógrafa Morena Nascimento, com quem também colaborou na dramaturgia de "Antonia".
 
Cara de Cavalo é o nome dado ao grupo de artistas que a acompanham em cada um dos seus novos projetos autorais, como "Mata-me de prazer" (2016), "Quiero hacer el amor" (2017) e "Utopias to everyday life" (2017). A artista retorna ao Cena Brasil em 2018 com “Lobo”, dois anos após participar do festival com “Mate-me de prazer” e “Rêverie”.

Sobre “Lobo”:

Trabalho mais recente da artista, “Lobo” teve sua dramaturgia desenvolvida em Buenos Aires em 2017, durante uma residência artística chancelada pelo programa Panorama Sur. Entre 2017 e 2018, Carolina realizou diferentes workshops em São Paulo e, em colaboração com diferentes performers, estabeleceu a estrutura da obra. Em cena, a artista irá contracenar com 15 perfomers homens, que serão escolhidos através de um workshop em cada cidade em que a peça se apresentar.
 
"Lobo" estreou em maio de 2018 em São Paulo, no Teatro de Contêiner, e faz sua estreia no Rio no festival. Para as sessões do Cena, o projeto contará com performers selecionados durante uma residência artística de duas semanas, guiada por Carolina e por Debora Rebecchi.
 
Assim como nas mais recentes criações de Carolina Bianchi, "Lobo" transita por diversas linguagens, articulando texto, dança, performance, teatro e vídeo. Nestas obras, temas como libido, humor, violência, a linguagem e o erotismo têm sido recorrentes, e em "Lobo" estes assuntos estarão novamente sendo tensionados e investigados.
 
Se em "Mata-me de prazer" (2016) a artista estabelecia relações entre a libido e a utopia, em "Lobo" Carolina se lança poeticamente sobre o que restou da civilização diante da barbárie contemporânea, refletindo sobre a dificuldade de transgredir papéis sexuais e sobre como isso pode se tornar fatal para a história e o destino da humanidade.
 
A obra articula, portanto, a morte e o desejo, a libido e as paixões que tentam nos manter de pé. "Lobo" é, assim, um ritual barroco punk de despedida dos corpos colonizados e arrasados pelo patriarcado, e que busca abrir espaço a um novo circuito de afetos. "Lobo" é, portanto, a calamidade e, ao mesmo tempo, um possível final feliz.

Carolina Bianchi sobre “Lobo”:

“Lobo” não é um espetáculo da diretora, dramaturga e atriz Carolina Bianchi.
“Lobo” seria, mas não pôde ser.
“Lobo” não é um espetáculo porque é gestado em um momento onde parece não poderem existir mais espetáculos.
“Lobo”, portanto, é quase uma experiência científica.
“Lobo” é uma utopia?
“Lobo” é uma alucinação?
 
Como criar um trabalho com 15 performers e nenhum dinheiro?
Como a negligência de instituições culturais, o fracasso dos editais públicos, a escassez dos festivais, o contexto assassino com os artistas, não aniquilam por completo nosso impulso vital de seguir existindo?
 
Essa obra, essa peça me parece uma luta, um massacre, uma orgia. Um último canto. Uma fuga. Um embate entre o meu corpo e esses corpos tão diferentes. E ao mesmo tempo todos nós tão semelhantes, vivendo esse agora nebuloso. Um circuito de afetos. Um gesto insolente. Uma pequena bomba. Uma dança terrorista do amor. Os últimos frames de um filme de futuro. Um gole de ar para se terminar um discurso. A tentativa de desviar o espaço. De novo e de novo.
 
Classificação etária: 18 anos
 
Ficha Técnica:

Idealização, direção, dramaturgia e atuação: Carolina Bianchi
Atuação: artistas residentes RJ
Assistente de direção: Debora Rebecchi
Performers criadores primeira versão em São Paulo: Antonio Miano, Felipe Marcondes, Tomás Decina, Tomás de Souza, Kelner Macedo, Alysson Mendes, Maico Silveira, Chico Lima, Gabriel Bodstein, Giuli Lacorte, Gustavo Saulle, José Arthur Campos , Rodrigo Andreolli, Rafael Limongelli, João Victor Cavalcanti, Murillo Basso
Treinamentos e atravessamentos afetivos: Rodrigo Andreolli, Henrique Lima, Fernanda Vinhas, Jaya Batista, Mayara Baptista, Bruno Parmera, Martha Kiss Perrone
Luz: Alessandra Domingues
Som: Joana Flor
Pesquisa de trilha sonora: Carolina Bianchi
Imagens: Mayra Azzi
Vídeos: Fernanda Vinhas
Produção: Anacris Medina e Luciana Mugayar
Confecção de objetos de cena: Tomás Decina e Nelson Feitosa
Efeitos especiais terror: Gustavo Saulle
Figurinos: Carolina Bianchi, Tomás Decina e Antonio Vanfill
Apoios: Pequeno Ato, Capital 35 e Teatro de Contêiner SP

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